
Esta sonata é algo como o que poderia ter sido e não foi... a promessa de um Schumann que infelizmente não se concretizou.
Antes de nos lamentarmos pelo infeliz, deprimido e suicida compositor... vamos tentar entender mundo em que ele vivia e como, (possivelmente) ele se encaixava nele.
Estamos falando da metade do Século XIX, quando então as coisas pareciam durar para sempre. E apesar do ideal "Romântico" ainda não havia chegado o apogeu desta era. Isto quer dizer que qualquer um que partisse nessa direção não estava muito em conformidade com as regras sociais.
Havia de tudo, assim como hoje, e por certo a juventude não era mais ajuizada. A medicina que hoje não é capaz de curar completamente muitas enfermidades, era ainda pior naquela época.
Muito bem. Agora imagine um certo Robert Schumann... muito inteligente, culto e vacilante entre o estudo das leis (que lhe daria uma profissão estável), e a música. Solte este rapaz naquele mundo; exposto ao alcool, prostitutas, livros, sagas heróicas, poetas, frio, amores fulgazes e sonhos. Tantos que permeavam a sua infância, florestas, letras... e por fim decide abandonar a faculdade.
Não vou sequer comentar a sua paixão pela filha do seu professor de piano... entre outras.
Coloque tudo isso numa "Grande Sonata", eis a sonata op.11 de Schumann!
Ao que parece ele havia vivido muito bem a vida! Talvez até passado do limite...
A Penicilina só seria descoberta em 1928, ou seja, na época de Schumann não possuia tratamento eficaz, e pode-se atribuir a esta doença parte dos sintomas da sua doença mental. Ele contraiu esta doença na juventude. Passou do limite outra vez ao forçar o limite físico causando uma lesão permanente na mão que lhe impedia de tocar piano corretamente, principalmente para o seu nível de exigência. E por fim assim como já indicava quando abandonou a faculdade de direito, estava clara a sua faltade habilidade para lidar com burocracias e que lhe custou a diretoria do conservatório.
Parcialmente, Schumann consegiu transcender e equilibrar todos estes problemas, mas jamais como na Sonata Op. 11
Naquela época, talvez... é uma especulação sem resposta, mas talvez...
se ele tivesse sido um pouco mais comedido na vida... ou se tivesse nascido 30 anos depois... então seria o compositor que a Sonata op.11 promete!
Foi genial, não há dúvida. Mas é como no concerto em la menor, é uma alegria que quaaaase chega... uma tristeza mal resolvida.
Mas enfim... é Schumann!
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